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Mais que um rótulo

Aqui tem história

Na Deu Samba, cada detalhe carrega história e alma carioca.

Nossos rótulos são mais que simples embalagens, são homenagens aos maiores símbolos do Samba, são a essência da nossa cervejaria.

Todos os nossos rótulos são desenhados à mão por artistas do Rio de Janeiro.

Noel Rosa

e a Receita Boêmia

Inspirado na atmosfera das décadas de 1920 e 1930, o rótulo da Receita Boêmia transporta você para a alma da boemia carioca e para os berços do Samba, entre madrugadas regadas a violão, poesia e cerveja gelada. Uma homenagem ao Rio de Noel Rosa: a Vila Isabel de suas origens, a Lapa boêmia, a mesa do botequim e seu inseparável violão.

No centro do rótulo está Noel, em uma cena típica da boemia carioca: mesa de botequim, violão no colo, copo à mesa e o olhar de quem transformava o cotidiano em Samba.

Na parede, um detalhe especial: um quadro de Vadico, parceiro de Noel em clássicos como Feitio de Oração e Conversa de Botequim, uma homenagem discreta, mas cheia de significado.

É em meio a dois copos de bebida com a caixinha de fósforo que acende o cigarro que se está fumando com o companheiro e mesa que vão criando as músicas. Socializa-se então, não apenas o espaço da convivência entre os moradores do mesmo bairro, do mesmo morro, como também os espaço da criação e a produção musical.

BORGES, Beatriz, Samba-Canção fratura & paixão. Rio de Janeiro: Editora Codecri: 1982

À direita, o rótulo nos leva à Lapa, símbolo da boemia carioca. Ao longo do século XX, a região se consolidou como reduto de artistas, sambistas e boêmios. Entre bares, casarões e noites intermináveis, a Lapa representa o palco vivo da boemia carioca, onde música, poesia e copos cheios atravessam a madrugada.

À esquerda no rótulo, vemos a Vila Isabel de Noel: o bonde cruzando as ruas, a antiga Fábrica de Tecidos Confiança, um dos símbolos do bairro. Fundada em 1885, a fábrica marcou profundamente a vida da região, e inspirou Noel em Três Apitos, samba que eternizou o som do apito anunciando a rotina dos operários. Hoje, o prédio ainda existe e abriga um supermercado, preservando parte dessa memória.

As notas musicais que surgem nas calçadas fazem referência ao icônico mosaico de pedras portuguesas da Boulevard 28 de Setembro. Inaugurado em 1965, transformou melodias em patrimônio cultural, eternizando em pedra a alma musical do bairro. Um dos destaques é a canção “Feitiço da Vila”, de Noel e Vadico.

Um dos detalhes mais delicados da arte: a serenata na janela. Um homem leva flores enquanto outro o acompanha ao violão referência a um tempo em que o amor era cantado nas ruas, sob janelas abertas nas madrugadas cariocas.

Quando o apito da fábrica de tecidos vem ferir os meus ouvidos. Eu me lembro de você, mas você anda sem dúvida bem zangada e está interessada em fingir que não me vê. Você que atende ao apito de uma chaminé de barro. Por que não atende ao grito tão aflito da buzina do meu carro?

Trecho da música “Três apitos” de Noel Rosa.

A primeira cerveja da Deu Samba tinha que ser uma Pilsen. Clássica como o Samba, democrática como a mesa de botequim e atemporal como Noel Rosa. Assim nasceu a Receita Boêmia: uma homenagem à boemia carioca, às rodas de conversa e aos brindes que atravessam a madrugada.

A Pilsen que você conhece, só que com atitude!

 A IPA da Deu Samba é inspirada nos versos amargos de Cartola em O Mundo é um Moinho. Em contraste, ela traz o dulçor da fruta da paixão: o maracujá.

Segundo o relato mais conhecido, a canção foi composta como um conselho à sua enteada, carrega a dor de quem já conheceu profundamente as durezas da vida e tenta proteger quem ama.

 

Na poderosa metáfora de Cartola, o moinho representa o próprio mundo: uma força implacável que gira sem parar, triturando sonhos, ilusões e ingenuidades ao longo do tempo.

Como o Samba, que mistura dor e beleza, a Amarga Melodia é uma explosão de sensações. O lúpulo tritura o doce e entrega um amargor poético, com notas cítricas e tropicais, enquanto o maracujá arredonda o aroma, cadencia o ritmo e faz o paladar dançar.

A VIDA MÓI…
E a gente transforma amargor em poesia.

Cartola

e a Amarga Melodia

Ouça-me bem, amor
Preste atenção
O mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho
Vai reduzir as ilusões a pó

Trecho de "O Mundo é Um Moinho" - Cartola

PORQUE O MUNDO É UM MOINHO… 

MAS A GENTE BRINDA MESMO ASSIM!

O rótulo também traz Cartola com seu violão diante do Zicartola, a casa de Samba criada por ele e Dona Zica, símbolo de encontro entre música, comida, boemia e resistência cultural.

Clementina de Jesus

e a Canto de Quelé

No centro está Quelé, de braços abertos, em uma postura que transmite presença, força e espiritualidade. Sua figura parece ocupar não apenas a cena, mas a própria memória do Samba de raiz.

Ao redor dela, o rótulo costura referências marcantes de sua trajetória. Aparece primeiro Oswaldo Cruz, bairro onde Clementina cresceu após chegar ainda criança ao Rio de Janeiro e onde construiu grande parte de sua formação musical, em meio às rodas suburbanas de jongo, partido-alto e Samba de terreiro. Surge também a Igreja da Glória, símbolo da religiosidade popular e do sincretismo que sempre atravessaram sua vida e seu canto.

A águia da Portela homenageia a escola fundada em Oswaldo Cruz, a escola que Clementina frequentou, onde cantou e ajudou a eternizar com sua voz ancestral.

O Morro da Mangueira relembra a fase em que Clementina passou a viver entre bambas da velha guarda, aprofundando ainda mais sua conexão com o universo do Samba.

A antiga Taberna da Glória marca um momento decisivo: foi ali que Hermínio Bello de Carvalho ouviu sua voz e reconheceu uma força rara, quase ancestral. Já o Zicartola, lendária casa de Samba criada por Cartola e Dona Zica no centro do Rio, simboliza sua consagração artística e o momento em que o Brasil finalmente descobriu, já depois dos 60 anos, uma voz que parecia vir da própria terra.

O rótulo da Canto de Quelé é uma homenagem à ancestralidade que ecoa na voz de Clementina de Jesus. Mais do que retratar uma grande sambista, a arte celebra uma força cultural profunda, enraizada e impossível de apagar.

Uma Stout em reverência à ancestralidade do Samba.

Assim como a voz de Quelé carregava profundidade e alma, esta Stout entrega camadas de cacau e café torrado, envolvidas por um toque amanteigado de pistache. Um sabor grave mas macio, como um refrão ancestral que insiste em permanecer.

Conheça os artistas por trás dos nossos rótulos

Flávio Pessoa

Ilustrador, quadrinista e professor carioca. É o autor dos rótulos da Receita Boêmia e da Amarga Melodia.







@flaviopessoailustra

Felipe Coelho

Ilustrador e estudante de Cenografia na EBA–UFRJ. É o artista por trás do rótulo da Canto de Quelé.







@lipe_coelhoart

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